Wednesday, May 07, 2008


A ANOREXIA: O corpo como cárcere.


Coñecida como un trastorno alimentario derivado da falsa percepción do enfermo do seu propio corpo, a anorexia a miúdo é considerada como unha “manía ou rareza” derivada da opulencia da sociedade capitalista da que formamos parte.


Sen embargo, esta enfermidade non é algo tan sinxelo, xa que segundo afirman os expertos no tema, as “causas” que motivan a caída na anorexia aparte de ser difusas non son meramente estéticas, senon que na maioría dos ocasións débense a condicionantes biolóxicos, sociais ou psicolóxicos. Deste xeito, o primeiro factor, o biolóxico, traduciríase en certa predisposición xenética a desenvolver a enfermidade. En canto ó segundo, a influencia da sociedade no xurdimento da anorexia, non podemos descartar que a imaxe de delgadeza e o “culto ó corpo” que domina os medios de comunicación e a sociedade inflúe de xeito indirecto na poboación e materialízase nun considerable aumento do número de persoas excesivamente preocupadas polo seu aspecto físico, motivado en gran parte por tentar semellarse o canon de beleza imposto.



O último condicionante, o psicolóxico, é sen dúbida algunha, o máis significativo. O perfil de anoréxicos/as que os especialistas soen establecer é o de persoas intelixentes e moi autoesixentes que castigan o seu corpo por non acadar o perfeccionismo que tanto ansían na súa vida laboral ou persoal. Do mesmo xeito que os/as bulímicos/as ou algúns obesos utilizan a comida como vía de liberación, os anoréxicos procuran a “paz” na negativa a inxerir alimentos, sentíndose aparentemente mellor consigo mesmos ó non comer.



Poñerse no lugar dun anoréxico non resulta fácil, pero pouco a pouco a sociedade está mostrándose máis comprensiva cos afectados por esta enfermidade e percatándose da complexidade da mesma, deixando por fin atrás a falsa “crenza popular” deste problema alimenticio como unha manía inxustificada.



Iris.


Tuesday, April 29, 2008



UM COLÉGIO DE BERTAMIRÁNS COM NOME FRANQUISTA




Há um colégio em Bertamiráns que leva o nome dum político franquista: o bispo José Guerra Campos. Mas que é o que se passa para que nos últimos anos ninguém tenha solicitado a mudança do nome do colégio? Quem foi este home? Que méritos possui para que em pleno século XXI seja possível que um colégio público leve o seu nome, o de um homem ligado à dictadura?
Guerra Campos nasceu numa freguesia de Ames em 1920. Lutou durante a guerra civil no bando fascista. Foi bispo auxiliar de Madrid e bispo de Cuenca. Representou durante muitos anos a ala mais integrista da Igreja Católica espanhola e sempre esteve próximo de grupos de ideologia ultradireitista. Foi o bispo predilecto do general Franco. Sempre leal ao régime tornou-se rosto vísivel do nacional-catolicismo, motivo porque mereceu a alcunha de “el último cruzado”. Ele representou melhor do que ninguém aquele tempo no que a cruz e a espada iam de maos dadas, onde a Igreja baptizava de “cruzada” a guerra civil e levava Franco sob o pálio nas procissons. Guerra Campos era dos que dizia que o dictador era “caudillo de España por la gracia de Dios”.
A sua faceta política começou em 1967 quando foi indigitado poFranco ‘procurador’ em Cortes (equivalente a deputado na actualidade), lugar que ocupou até 1977; significando-se sempre contra qualquer reforma política ou abertura democrática e defendendo sempre a união insolúvel Igreja-Estado. A começos da década de 70 o seu amigo Franco concedeu-lhe um espaço de televisom, desde o que fazia defesa das teses mais integristas.
Quando nas eleiçons de 2003 um governo “de progreso” chefiado polo PSOE e o BNG se fez com o governo municipal de Ames alguns acreditamos numha regeneraçom democrática em muitos aspectos, mas nada mais longe da realidade. Nestes últimos anos ninguém se lembrou do clérigo e político franquista que dá nome ao colégio. Achamos que isto deve mudar. O nome de um colégio é o primeiro cartão de apresentação e debe corresponder ao de uma pessoa de trajectória democrática e que conte com reconhecimento social.




Pedro Pardo
Milhadoiro (Ames)

Tuesday, September 04, 2007


Os obreiros de onte e a falsificaçom da tradiçom.
Jorge Paços.


Pedem-me os amigos d’a Folha que escreva um textinho divulgativo sobre o socialismo na Galiza, com o objectivo de conhecer bem as origens do partido que hoje manda –no governinho galego e nos concelhos de Ames e Briom- e a sua transformaçom ao longo do tempo. Como todos sabemos, o partido risca-se de ‘socialista’ e de ‘obreiro’, e tem umha longa andaina no nosso país.

Para os poderosos, mergulhar na memória é retocar um expediente: apanhar os dados que melhor cadrarem com a imagem ideal que um quer ensinar ao público, e passeá-lo a olhos de todos, com a ideia de dar algum brilho à imagem cinzenta do presente. O passado –e nomeadamente o que aconteceu antes de 1936- serve para fazer heróicos os covardes, sinceros os trapaceiros, singulares os gregários, firmes os trementes. Para os oprimidos, a pesquisa do passado é a contrária: trata-se de desempoeirar pedaços da vida dos devanceiros, colocar-nos perguntas, e atrever-nos às respostas: tinham algumha cousa que ver os oprimidos de onte com os de hoje? Luitavam como luitamos nós? Em que falharam e em que acertaram? Que liçons nos podem dar, e que queremos transmitir deles?

O cámbio do mundo.
Palavras hoje assentadas firmemente queriam dizer cousas mui distintas há mais de cem anos, quando na Galiza germolavam os primeiros ensaios de organizaçom obreira. ‘Democracia’ era um objectivo ansiado, um regime oposto à tirania que exigia firmeza e compromisso; hoje associa-se com umha sociedade de direitos formais ou direitos que nom se exercem; com um malestar opulento e indolente; com a corrupçom generalizada e o ‘salve-se quem puder’; ‘socialismo’ era um termo rotundo e temido: a ideia dumha sociedade radicalmente diferente sem desigualdade, onde a economia era rigorosamente controlada polos homens e mulheres; na actualidade é a marca dum partido político servidor da economia, do progresso, do produtivismo e do mundo que todos padecemos. A palavra ‘trabalhador’, finalmente, tinha também um outro sentido ao que hogano nos resulta familiar. Fazia referência a umha actividade importante e digna. O trabalho construía e fazia habitável o mundo, e o ofício era a habilidade necessária para a reproduçom social. Carpinteiros, tipógrafos, canteiros, sapateiros, alvanéis ou jastres reinvidicavam controlar o próprio processo de trabalho, e que este garantisse umha existência digna sem as pressons da patronal. Há cem anos, ninguém pensava no trabalho como umha dedicaçom absurda, inútil e nociva. Nom existiam empregos como ‘tele-operador’, repartidor de propaganda comercial, ou técnico de cultura. O ofício ocupava a maior parte da vida adulta, dava sentido à vida e sobrevivia-se na pobreza ou na austeridade. A quase ninguém se lhe podia ocorrer trabalhar para a opulência ou para a acumulaçom de objectos.

Outra universidade.
Um escritor russo de começos do século XX intitulou umha obra famosa As minhas universidades. Referia-se aos duros transes onde se fez como home, e onde circulavam mui vivamente as ideias da emancipaçom social. Viveu entre trabalhadores bêbedos, padeiros, bateleiros e vagamundos, e politizou-se apuradamente aproveitando as reunions clandestinas organizadas por estudantes e leitores nómadas no reservado de muitas lojas. Esta ánsia polo saber e a formaçom agitava de maneira febril centos, acaso milhares, de trabalhadores da Europa por aquele entom. Um carpinteiro inglês chamado James Hopkinson declarou também por aquela altura: que desperdício é a vida de aquele que nom tem um livro predilecto, nenhum armazém de ideias ou gozosa escolma do que se tem feito, experimentado ou lido. A ideia de leitura e a ideia de emancipaçom iam juntas. A ánsia pola formaçom era parte da ánsia geral por perfeiçoar as pessoas, com umha cultura do esforço mui acusada. Roubavam-se horas ao sono para aprender a ler e politizar-se à luz dum candil. Muitos trabalhadores politizados rematavam depois no jornalismo. Tratava-se dum jornalismo nom empresarial, comunitário e voluntarista, semelhante ao que hoje desenvolvem muitos militantes galegos, ganhando horas do tempo livre. Isto requeria um grande esforço pessoal e económico. Em 1920, o semanário socialista pontevedrês La Nueva Aurora, introduzia este chamado: Trabajador! Considera como uno de tus principales deberes el aumentar tu prensa –la prensa obrera y socialista-, haciendo cuanto puedas para lograrlo, incluso verdaderos sacrificios.

Socialistas, anarquistas e movimento obreiro.
Som precisamente estes obreiros volcados à curiosidade, ao saber e à sensibilidade ante a injustiça social, os que dam os primeiros passos para um associativismo de seu. O movimento obreiro nom nasceu nem se desenvolveu nas fábricas. Na Galiza, fijo-o nos obradoiros, alentado polos grémios mais vinculados com a palavra escrita ou com as relaçons sociais. O PSOE foi fundado em Madrid por um tipógrafo galego em 1879, e isto nom é um acaso. O dos sapateiros era um grémio também mui activo e de grande tradiçom republicana. Um conhecido militante santiaguês que chegaria a alcalde, Jesus San Luis Romero, escreveu umha das mais exitosas obras teatrais em galego, O Fidalgo, em 1918, onde retratava um moço que se lançava à luita contra os caciques na comarca de Bergantinhos. Os jastres, com um círculo social mui amplo, situavam-se assemade nesta tradiçom associativa. E os canteiros, com o seu trabalho itinerante e a sua coesom de grupo, actuariam como transmisores mui eficazes da ideologia obreira, sobretodo a socialista.

O PSOE chega à Galiza em 1891, quando se constituem vários núcleos nas cidades de Ferrol, Corunha, Santiago e Vigo. É um partido fraco e minoritário, mas vai-se aproveitando da força crescente das sociedades de ofícios. Estas têm umha base comarcal e progressivamente agrupam sectores diferenciados, federando-os. Quando o movimento obreiro formaliza e assenta, a partir de 1910, as sociedades já se inserem em estruturas mais amplas: a Confederación Regional Galaica, da CNT, e a Unión General de Trabajadores, de obediência socialista. Nos primeiros dez anos do século XX, as sociedades de ofícios espalharam-se como um vírus por parte da geografia do país; bastante mais adiante, já em pleno regime republicano, produz-se umha expansom ainda mais intensa, caracterizada polo fraccionamento político: cada sociedade tem as suas fidelidades partidárias, e as relaçons entre anarquistas, socialistas e comunistas som tensas e conflitivas. Nom podemos perder de vista que o PSOE governava em Espanha até 1934, e algumhas das suas decisons mais polémicas –como a paralisaçom das obras do trem Ourense-Samora- provocaram estoupidos de ira popular. De maneira simultánea, o partido aumenta a sua esfera de influência, e na República chega a ter 62 agrupaçons.

Apesar dos contínuos desencontros, as coincidências eram mais notáveis do que se tem dito. Na nossa comarca, e na década de 10, actuaram federaçons de sociedades que acolhiam diferentes visons do movimento obreiro, mas que argalharam fortes protestos conjuntos. Em 1916 fundara-se a ‘Federación de Sociedades Obreras y Pueblos Comarcanos’. Nesse mesmo ano artelhara-se umha greve geral polo abaratamento de subsistências, convocada por socialistas e anarquistas. A sociedade que antes citei sofre umha repressom aguda por participar dumha greve geral, de orientaçom revolucionária, em 1917. Esta greve sediciosa preparara-se secretamente no Monte da Condesa (no actual cámpus sul de Santiago), e tivera o líder obreiro José Pasín como grande promotor. No concelho vizinho de Teo, funda-se a ‘Sociedad de Oficios Varios’, dirigida polos irmaos Liste, e que mesmo protagoniza choques virulentos com a força pública no Val da Amaía. Segundo informa o periódico obreiro Lucha Social, na paróquia de Bugalhido tivera lugar um enfrentamento com a guarda civil que rematara com vários feridos. Corria o ano 1919.

Em todas as luitas, mas distantes da Galiza.
As sociedades de ofícios vários e os ateneus –em muita menor medida os partidos, caso do PSOE- fôrom as verdadeiras escolas para milhares de singelos trabalhadores, que conhecêrom na acçom directa umha outra visom do mundo. As formas de ajuda mútua servírom para abaratar os produtos básicos, para trabalhar menos horas, para conseguir mais salários. Mas também para conseguir outros direitos, que as forças sindicais defendiam com idêntico ardor. Os trabalhadores –mais que as trabalhadoras, que apareciam relegadas a um papel secundário- pulárom por tirar terreno à Igreja católica, que entom dominava todos os ámbitos. Num comício em Santiago, em 1910, as sociedades chamavam a defender as escolas laicas e, mais umha vez, a ilustrar-se para avançar: el pueblo trabajador crece, crece y agrándase como el oleaje y la tormenta. Empieza á instruirse á ilustrarse y ¡Ay! de vosotros los hartos y poderosos (...) los dichosos de hoy que hasta les negáis la ilustración, el pan y la libertad...! Nom faltárom tampouco as condenas às guerras imperialistas livradas por Espanha, por serem ilegítimas, e por causar umha verdadeira sangria nos soldados das classes populares.

Ainda, o movimento obreiro mostrou umha grande incomprensom com a causa galega. Os anarquistas, de maneira unánime, vírom um obstáculo para o interesse dos trabalhadores a causa nacional, e mantivérom-se numha posiçom contrária ao estatuto de autonomia para o nosso país, que entendiam umha nova forma de caciquismo. O PSOE, num congresso em Monforte, celebrado em 1931, nega-se a secundar o estatuto. Ambas as correntes obreiristas, apesar de representar umha base social popular e com toda certeza galego-falante, empregam o espanhol em toda a sua propaganda. Os socialistas mesmo ridiculizam o emprego do galego na assembleia em favor da autonomia galega. Numha publicaçom socialista ourensana podemos ver como se caricaturizam os actos dos galeguistas a propósito da aprovaçom do estatuto: Los nacionalistas nuestros, los hirmanciños, tienen una idea verdaderamente luminosa para cuando llegue la ocasión, dizem no jornal La lucha em 1931: El pendón que portará Otero Pedrayo será obra, según cuentan de Florentino Cuevillas, y estará escrita y dibujada con arreglo a la época paleolítica. Finalmente, o PSOE decidiu somar-se à causa autonomista, mas fijo-o sem demasiado entusiasmo e a reboque do grande consenso suscitado.

Duas importantes figuras merecem ser citadas como excepcionais polos seus plantejamentos. Umha é Jaime Quintanilla: este médico fora militante da Irmandade Nazonalista Galega, promotor da editorial Céltiga, e posteriormente alcalde em Ferrol polo PSOE. Militava num partido espanhol, mas nunca abandonou a sua adesom à causa galega. Desde as páginas do vozeiro do partido El obrero, pulou para que os socialistas se somassem à luita polo estatuto: me parece un poco imprudente la indiferencia y hasta la hostilidad con que algunos socialistas, pocos sin duda, miran el problema del Estatuto gallego (...) es imprescindible el reconocimiento del derecho de esas nacionalidades a la autodeterminación, al gobierno propio. Una de esas nacionalidades, con derecho a gobernarse a si misma, es Galicia. Som palavras de Quintanilla, que é assassinado polos fascistas em 1936 no castelo de Sam Filipe.

Umha outra figura senlheira foi Xohán Xesús González. Canteiro autodidacta, escritor e militante político, nasceu em Cúntis e fijo-se santiaguês de adopçom. Na nossa cidade abre a livraria Niké e colabora durante umha breve etapa de tempo no PSOE, antes de fundar umha organizaçom mui pequena chamada Unión Socialista Gallega. Escreve a obra Nacionalismo. Regionalismo. Separatismo e pronuncia umha sentência tam rotunda como esta: nada nem ninguém pode obrigar-nos a fazer parte dum Estado que significa para nós umha ruína iminente. Ao igual que Quintanilla, é passeado polos golpistas. Antes de cair reunira um fato de homens armados, os chamados Tercios de Calo, que pararam um tem com armas em Osebe.

A desfeita.
O golpe e a guerra esfarelaram este mundo, que se conformara na Galiza desde os anos 90 do século XIX. Foram corenta anos de experiência liquidados de maneira acelerada e abrupta em poucos anos. Os últimos lumes desta grande fogueira som os combatentes que ficam nos montes. Nas duras serras orientais, alguns socialistas de origem espanhol actuam como motores organizativos da chamada Federación de Guerrillas de León-Galicia. Ainda que o PSOE nunca pujo homens e recursos para a guerrilha, alguns dos seus militantes jogam um grande papel na direcçom. Nas comarcas do Berzo, da Cabreira ou de Viana ainda sonam nomes como os dos irmaos Morán, ou Marcelino Fernández Villanueva, ‘Gafas’, que já participaram da revoluçom de Astúrias em 1934. Mais perto da nossa comarca, outro nome ganhou o seu lugar na memória da gente: Manuel Ponte Pedreira, ‘Jastre’. Antes de ser membro do Partido Comunista e dirigente da IV Agrupaçom do Ejército Guerrillero de Galicia, simpatizara com o PSOE em Ordes. Actua perto da nossa comarca e cai tiroteado em Frades em 1947. Assassinados, fugidos ou dispersos, todos estes homens desaparecem da cena pública.

Os falsificadores.Esta história rematou. A ditadura liquida a tradiçom socialista, e as resistências ao regime fam-se fundamentalmente nacionalistas e comunistas. Quando as elites espanholas inventam a transiçom, a monarquia e as autonomias, ressucitam um cadáver sem muito respeito pola história que outros escreveram. Quem som estes presuntos herdeiros dumha história protagonizada pola gente de abaixo? Comunistas arrependidos, espanholistas de muitas pelagens, trepas, homens das classes médias universitárias, construtores e corruptos, jornalistas a soldo do poder, franquistas reciclados, escudados numha grande multinacional da comunicaçom que se chama grupo Prisa. A sua pequena e triste história terá que ser relatada em outra ocasiom, porque é melhor nom mesturá-los com umha tradiçom que nom lhe corresponde.
Editoral da Folha da Fouce- mês de Julho do 2007


Actualmente para muit@s (sobretodo habitantes das vilas-dormitório ou das urbanizaçons da Amaía), o meio ambiente é pouco mais que um parque com bancos, e, como muito, um parque temático que deixamos gestionar em maos das instituçons de turno. No nosso caminho entre o trabalho e o centro comercial, podemos acompanhar-nos de lezer prefabricado, de reggaeton e cubateo, carros tunning e pouco mais. Mediados/as polas interferências diárias que som os medios de comunicaçom do mercado e as novas tecnologias, vivemos cada vez mais apartad@s do nosso entorno mais próximo, os trabalhos aos que se nos condena maioritariamente vam em relaçom com a especulaçom e o turismo, com a burocracia estatal, e pouco mais. A Terra passa a ser ermo, pouco nos importa que a autovia ou o AVE de turno destrua o moinho ou o castro que há ai ao lado, e nada sabemos da fermosa branha ou do monte desde onde poderiamos parar-nos a reflexionar sobre o modelo de vida cara o que "progresamos".
Vivemos num circuíto de consumo que nos está a consumir.
Afastad@s de nós mesm@s, d@s noss@s vizinh@s, desligad@s por completo das geraçons que vivêrom da Terra, desligad@s do passado (Franco deixou todo arrassado ademais de atado), de sentimentos de uniom e solidariedade frente à precariedade que padecemos em todos os ámbitos da nossa vida: a temporalidade e a exploraçom laboral, a opressom sexual e racial, a miséria urbanística, a "cultura" de imposiçom do pensamento único do deus do Dinheiro, o controlo policial e carcerário...
Mas ainda estamos a tempo de mudar de rumo. Como? Autogerindo espaços galeguizadores e anticapitalistas, as nossas bibliotecas (música e literatura livres de censura e copyright), reconstruindo as nossas festas e jogos populares, criando novas relaçons harmoniosas com o meio e entre nós, colectivizando, qüestionando-o todo, desobedecendo e combatendo ali onde é necessário.Vamos romper as cadeias que nos atam, vamos fazê-lo nós mesm@s..

Sunday, July 08, 2007

E onde nos bañamos nós?

A dia de hoxe o nivel de degradación da auga dos océanos é realmente alarmante. Acudimos a eles como se de unha grande barra libre se tratasen (peixes, minerais, sal, algas, combustibles...), e que ofrecemos a cambio? Nada, roubamos saude, agredimos e emporcamos. E cada día isto vai a máis.
Podemos empezar falando do lixo plástico. Mirade ao voso redor, cantos envases plásticos innecesarios se consumen nesta sociedade absorbida polo consumismo desmesurado? E o máis importante, a onde van a parar? Pois ao redor de 3 millóns de toneladas* deste tipo de lixo van a parar anualmente ao mar. Para que vos fagades unha idea, no Pacífico Central (zona altamente contaminada), a relación entre os plásticos flotantes e o plancton* é de 6 a 1 (por cada kilo de plancton hai 6 de lixo). Provocan a morte de uns 100.000 mamíferos e tartarugas mariñas anualmente.
Outro tipo de contaminantes son os hidrocarburos, desgraciadamente ben coñecidos nestes anos pasados a raíz do Prestige. A fatídica tarde do 13 de novembro do 2002 este barco comeza a soltar ao mar o que serian unhas 77.000 toneladas de fuel.
Son miles os petroleiros que surcan os océanos. Cada ano rematan no mar entre 6 e 10 millóns de toneladas de hidrocarburos. De todos xeitos, só o 12% proceden de acidentes deste tipo de buques. O 37% son vertidos deliberados (lavado ilegal de tanques na alta mar, os chamados "sentinazos"). Outro 37% provén das cidades e industrias terrestres. Os efectos deste tipo de substancias é diverso: nas rochas e praias asfixian os organismos que as habitan; as fraccións menos volátiles (as volátiles van á atmosfera ou incorpóranse na composición da auga) intoxican numerosas especies ou vanse acumulando no seu organismo; impregnan as plumas das aves impedindo a sua función como aillante térmico...
Ademais de plásticos e hidrocarburos, o mar contén outros contaminantes máis silenciosos e menos visibles. Entre eles os metais pesados, os COPs*, bacterias de orixe fecal, residuos nucleares, nitróxeno e fósforo procedentes de fertilizantes... Como podes imaxinar, o amplo abano de danos que estes contaminantes causan na fauna, flora e na nosa saude vai dende millóns de casos de gastroenterite e afeccións respiratorias en humanos ata efectos canceríxenos en numerosas especies ou a perda do seu éxito reprodutivo.
Por outra banda están todos eses feitos directamente responsables da degradación en xeral do medio, e moi directamente dos mares e do territorio costeiro. Estiveches algunha vez en Baiona ou en Sanxenxo? Os efectos que a turistificación irresponsable e con fins unicamente lucrativos ten sobre o ambiente son notables: sobreexplotación dos recursos da zona, danos nos ecosistemas litorais debidos á especulación do terreo... Non hai que esquencer tampouco os efectos socioeconómicos e culturais: especialización da economía no sector terciario abandonando así as actividades propias da zona, perda dos rasgos de identidade da poboación, sustitución da poboación autóctona por outra foránea xeralmente pouco respetuosa, emigración da xuventude que busca algo máis que traballar nos hoteis para os guiris... Só hai que mirar Benidorm para ver un claro exemplo do que é a Ocupación costeira.
Non hai que pasar por alto as piscifactorias, grandes extensións adicadas ao cultivo de diversas especies de peixes, mariscos e moluscos. Ainda que a acuicultura se presente como unha boa via para evitar a extinción dos recursos mariños (extinción provocada pola pesca abusiva e descontrolada), o certo é que este método presenta graves inconvenientes, especialmente cando se fai dun xeito totalmente irresponsable e moitas veces ilegal. Estas instalacións verten antibióticos, nutrientes, sustancias tóxicas e son unha importante via de introducción de especies foráneas no mar (esta introducción tamén se produce coas augas de lastre dos barcos, aquelas que se usan para estabilizar o buque e logo se verten de novo ao mar). Un recente estudo dado a coñecer pola asociación ecoloxista ADEGA, pon de manifesto o pésimo funcionamento destas factorias na Galiza, das cales 27 carecen de permiso de vertidos, requisito legal para este tipo de instalacións. Como é de agardar, os datos das análises de augas efectuadas son alarmantes: nalgúns casos, os niveis de contaminantes superan en máis de 100 veces os valores permitidos. As autoridades fan ouvidos xordos a esta situación, e para máis inri, seguen planeando a construcción e ampliación de macropiscifactorias, camuflando o asunto como un método de potenciación de emprego (cantas traballadoras necesitan estas instalacións?) e mil tonterias máis. Mentres morren as nosas costas, empresarios e políticos babean pensando nos seus petos (desgraciados).
E ainda queda por falar dos encoros, os cales impiden a chegada de sedimentos ao mar e tamén provocan danos nos ecosistemas fluviais. A situación enerxética actual na Galiza é excedentaria, producimos moita máis enerxía eléctrica da que necesitamos, e pagando un elevado prezo ambiental.
Temos que ser conscientes desta situación, pois a nosa ignorancia é a mellor arma para todos aqueles que sen escrúpulos se adican a destruir as costas. Eles/as só necesitan auga para navegar cos seus iates, pero nós necesitamos conservar toda a diversidade da nosa terra e do noso planeta. Temos que pararlles os pés.


* Tonelada: 1000 kg.
* Plancton: conxunto de organismos, principalmente microscópicos, que flotan nas augas doces e salgadas. Son o primeiro elemento da cadea trófica mariña e ademais producen o 50% do osíxeno molecular necesario para a vida terrestre.
* COPs: contaminantes orgánicos persistentes. Son substancias químicas que persisten no medio ambiente, bioacumúlanse na cadea alimentaria e provocan numerosos danos tanto no ambiente como na saude humana. Son COPs os pesticidas, químicos industriais e produtos derivados de procesos industriais.


Alba G. Noia
O cumio dos 8

Alemaña, Xapón, EUA, Italia, Reino Unido, Canadá, Francia e Rusia son os sete estados que se reúnen anualmente para analizar o estado político e económico mundial e achegar posicións ao respecto. Como é de esperar, son os estados máis poderosos do mundo e, polo tanto, os seus representantes políticos créense posuidores do dereito de decidir sobre cousas que nos afectan a tod@s, aos 6.000 millóns de persoas que habitamos nesta esfera chamada Terra.
Estas últimas semanas escoitamos numerosos comentarios sobre o cumio do G8 en Rostock (Alemaña). Unha das cousas que a min me parece curiosa no tratamento mediático deste acontecemento é o interese que parecen prestarlle ao tema ecolóxico e á pobreza (cambio climático, emisións de CO², a SIDA...). Vos credes realmente que o que máis lle interesa a estes 8 peixes é o aumento do nivel do mar ou os 1200 millóns de persoas que non teñen acceso a auga potable? Mmmm.... eu penso que o que fan eses ( e esa) é ir perfilando cada vez máis este sistema capitalista que só os enriquece a eles; perfilar a liberalización do mercado, a privatización de servizos públicos... é dicir, estudan como seguir mantendo (e mellorando) esa posición de riqueza e influencia da que gozan.
Xa abonda de tanta hipocrisía e tanto abuso. Cada día os índices de pobreza e fame son maiores (a nivel mundial maiores que o século pasado); cada día aumentan as toneladas de residuos de todo tipo que se verten nos mares; cada día @s moz@s vivimos nunha situación maior de precariedade; cada día en moitos lugares a sanidade pública deixa de selo;cada día extermínanse linguas e culturas; cada día os bancos e multinacionais son máis grandes e nós dependemos mais deles.... Pero tamén cada día hai alguén que da a cara para que isto non siga sendo así, alguén que rompe os moldes do seu sistema porque non quere ser un/unha bonec@ fabricado en serie; alguén que vai facendo do capitalismo historia.

Alba G. Noia

Sunday, June 24, 2007

PEDRINHOS E RANHOLAS

A dia de hoje, Galiza é um povo que luita pola sua simples existência como tal. À colectividade humana que conformamos apresentam-se-lhe tam só dous caminhos: o da supervivência e o da dissoluçom na globalizaçom quotidiana, Espanha mediante. Nom existem terceiras vias: ou existimos e exercemos o direito a sermos diferentes ou nos imos dissolvendo, como o terrom de sucre, neste café para todos desenhado desde Madrid no que os seus promotores dérom em chamar "Transición Española". O testamento político que deixou o Generalísimo é bem claro: "Todo queda atado y bien atado". Hoje em dia, vivemos umha continuidade do franquismo, desenhada polos próprios franquistas para marginalizarem toda dissidência, nomeadamente a que apresentam os diferentes povos do Estado e os movimentos sociais de esquerda.
Neste dilema shakespeariano do "ser ou nom ser" no que se move o nosso povo existem, como na novela de Castelao, Pedrinhos e Ranholas. Pedrinhos que guiam carros de alta cilindrada e exercem cárregos importantes coexistem com Ranholas que som criminalizados e perseguidos, alcumados de terroristas, e que mesmo chegam a conhecer a sombra dos macro-cárceres deste posfranquismo. Os democráticos Pedrinhos nom se cansam de louvar esta generosa democracia e lembram-nos tempos piores (que para a raça de Pedrinhos chamada PePedrinhos mesmo eram melhores). Outros, mais cínicos ainda, mesmo nos recordam que eles corrêrom diante dos grises. Muitos deles hoje tenhem escritórios onde loce, orgulhosa e triunfal, a bandeira rojigualda ostentada por aqueles que vencêrom o nosso povo em 1936.
Desde a antedita "Transición Española" até que a nossa geraçom começou a dar os seus primeiros passos, o povo galego contou com umha ferramenta poderosa e temida polos que detentavam o poder: o Movimento Nacional-Popular Galego. Para conhecer algo do seu decorrer, é recomendável ver o filme Cine Clube Carlos Varela (CCCV), que nos transporta a heróicas luitas do nosso povo como Xove, As Encrobas, Baldaio ou a negativa dos nossos labregos a pagarem a quota empresarial agrária. O que para uns é um alicerce para a luita, para outros poderia constituír um motivo para a vergonha. Onde onte havia "Estatuto nunca mais, bases constitucionais" hoje hai "Estatuto de Nación". Onde onte estava a autodeterminaçom e o direito a decidir para Galiza, hoje reclamam-se "mais competências". Onde onte havia um "luita!", hoje só existe um "vota!". O que foi um movimento juvenil dinámico e combativo vai caminho de se converter na correia de transmissom ideal para os governantes gerirem umha mocidade dócil e despolitizada, que nem sequer terá umha mínima margem de crítica para coas decisons de governo que tomem os seus "superiores", no que onte foi umha frente patriótica revolucionária e hoje é um partido ao uso no mercado eleitoral.
Para ilustrarmos este panorama, avondam as declaraçons recentes de dous políticos profissionais. Um, o vice-presidente do governinho galego, declarava perante a "Operaçom Castinheira" e o seqüestro de treze jovens independentistas que "aguardamos que caia sobre eles todo o peso da lei". (!!!). Outro, o (cárrego) da que ainda se dá em chamar "Frente Patriótica", manifestava na passada Assembleia Nacional da meirande organizaçom juvenil nacionalista do país (onde nom estivérom tam longe de se impor os sectores que procuravam umha volta à esquerda e ao soberanismo, traduzida por exemplo numha aproximaçom dos centros sociais) que " Nom hai mais nacionalismo galego que o nosso(aventureirismos, cantos de sereia...)".
Alguns que eram Ranholas vam-se convertendo em autênticos Pedrinhos. Pode que nom tardemos em vê-los ajoelhados, a comerem as maçás cos seus novos companheiros de viagem: os porcos.
É de supor que, entrementres, os Ranholas continuarám a protestar.
O NOVO FASCISMO INTERNACIONAL

Nos tempos mais recentes, está a se acelerar desmesuradamente a involuçom democrática em Europa. A imitaçom da caça de bruxas do McCarthismo reinante nos USA a meados do século XX, determinadas ideias (nomeadamente as que ponhem em questom as actuais relaçons de poder) som criminalizadas e perseguidas, rematando mesmo na ilegalizaçom de colectivos, organizaçons ou meios de comunicaçom e no arresto de pessoas vinculadas a esses projectos.
Um caso paradigmático bem próximo de nós é o da actuaçom em contra do independentismo galego e os centros sociais nacionalistas, especialmente aquele episódio que se deu em chamar "Operaçom Castinheira". Treze pessoas nacionalistas fôrom conduzidas à Audiencia Nacional espanhola a ponta de metralheta por uns encapuzados. Ao mesmo tempo, quatro centros sociais eram registados e saqueados, sem que posteriormente fosse devolto nada do roubado. Um sócio da Fouce era espertado na sua casa por um feixe de panhocos e levado à força à Corunha e mais tarde a Madrid, onde os sicários franquistas lhe chamavam, a ele e ao resto, "galleguiño" e "paleto de mierda", entre outras jóias.
Outro caso, mais distante e mais espectacular, é a perseguiçom da esquerda independentista basca.Amparando-se na sua suposta relaçom coa ETA, os inimigos da democracia fecham espaços de socializaçom, clausuram o único jornal escrito integramente en euskara ("si está en vascuence son de la ETA fijo") e torturam o seu director. Por se isto nom lhes avondasse aos pretendidos democratas, deixam sem direito ao voto centos de milhares de pessoas bascas que, de poderem, votariam para a esquerda independentista. Por nom falar da ilegalizaçom da mocidade abertzale e o encarceramento de muitas pessoas simplesmente polo seu pensamento e actividade política. Nem falta fai dizer que a tortura e as vexaçons de todo tipo som prática constante no tratamento destas pessoas.
Pois bem, este panorama nom é exclusivo do Estado Espanhol, por mais que ele se distinga polo seu pouco apego às garantias e os direitos humanos e por mais que seja dos poucos que nom permite a entrada de inspectores de Amnistia Internacional nos seus calabouços (de entrarem, seguro que ficavam dentro e também levavam lenha). Fai pouco tempo tínhamos novas pouco esperançosas a respeito da saúde democrática de Europa.
No passado 1 de Março, era esvaziada por meio da mais brutal das forças a Ungdomhuset (Casa da Mocidade) da capital da Dinamarca, que levava sendo um referente para a esquerda revolucionária desde o ano 1982 ( já desde 1897 levava sendo a Folketshus, Casa do Povo, pola que passárom mesmo Lenine e Rosa Luxembourg) . Copenague converteu-se entom no cenário dumha crua batalha, na que eram detidas arredor de 750 pessoas. Para além disto, outras muitas associaçons e colectivos de esquerda viam como as suas sedes eram despejadas e os seus militantes eram detidos. No operativo policial destacavam avondosos efectivos estrangeiros, especialmente alemáns.
Por outra banda, nos países do leste de Europa desencadeia-se umha feroz perseguiçom contra a esquerda e as posiçons comunistas em particular. Na República Checa, foi ilegalizada a Mocidade Comunista de Boémia e Morávia e muitos políticos da direita mesmo querem acabar co Partido Comunista. Este partido é o terceiro no arco parlamentar da República, e adoita ultrapassar o 15% dos votos. Nem que dizer tem que nom seguiu a deriva amável e eurocomunista de PC´s como o espanhol (IU), que hoje se dedica, entre outras cousas, a especular co solo da Naval Xixón por meio de empresas cujo objectivo inicial era "conceder umha habitaçom a quem nom a tiver". Conseqüencia dos conflitos derivados da especulaçom dos falsos comunistas, hoje hai dous sindicalistas asturianos na prisom (Cándido e Morala, da Corriente Sindical d´Izquierdes).
Na Polónia, o governo ultraconservador apoiado polos partidos da estrema direita, prepara umha lei que forçará a confissom daquelas pessoas que tivessem colaborado co comunismo. Mesmo se fala de proibir simbologia tam socializada como a fouce e o martelo ou o rosto do Ché Guevara. Também se está a projectar a proibiçom explícita da homossexualidade. Acabarám por proibir a cor vermelha. E a rosa , e a violeta. E como tapam o verde da vegetaçom com cimento e enchem o azul do céu de fume de sabe cristo que centrais, deixarám um perfeito mundo gris. Um mundo gris mui rendível, cheio de oportunidades de negócio para a minoria capitalista, e cheio de miséria para a maioria. Umha maioria que, polo momento, está a ser subtilmente enganada, quando nom duramente reprimida.
Temos que olhar para o mundo e actuar no espaço no que fazemos a nossa vida. É hora de começar a tecer umha rede que, num futuro seja quem de deter a barbárie capitalista. Umha barbárie que mantém mais do 80% das pessoas do planeta na mais absoluta das misérias. Umha barbárie que provoca guerras imperialistas e genocidas, como a do Iraque ou o Afeganistám. Umha barbárie que nos está a conduzir (segundo os dados das próprias instituiçons capitalistas) à completa destruiçom ambiental do planeta.
Baixando à terra, à nossa Terra, vemos que essa barbárie destrui completamente o meio, provoca absolutos desfases urbanísticos, verquidos, violência policial, precariedade laboral e acidentes no trabalho, a destruiçom do nosso território e da nossa língua, desigualdades de todo tipo, pessoas a dormir na rua, despovoamento do rural, expólio energético, emigraçom, etc, etc, etc.
Temos que configurar a nossa pequena rede, que se una a todas as pequenas redes que existem. Nengum político engaravatado e falabarato vai resolver todos estes problemas por nós, por muito que se declare socialista ou nacionalista galego. Estes peixes depois tenhem carrazos e chachas, despilfarram dinheiro e bens de consumo e educam os seus cativos em espanhol. Vaia coerência de galego de esquerdas !!
O novo fascismo mundial, que defenderá o capital com unhas e dentes, tem caroutas de amabilidade para amosar nas boas ocasions. Nom se pode esquecer que o Borbom foi posto a dedo por Franco, que o PP é o herdeiro directo do franquismo e que BNG e PSOE legitimam este neofranquismo do "todo queda atado y bien atado", pedindo dureza judicial contra a dissidência.
Quixera expressar mais estruturadamente o sentimento de urgência que nos lateja dentro às pessoas dissidentes, mas as ameaças e as agressons do novo fascismo som muitas e chovem de todas as partes. De todos os jeitos, um feixe de questons fôrom postas sobre a mesa, a modo de tutti-frutti.
PD: temos pouco tempo. O mundo e a nossa Terra estám em perigo. Como nom espabilemos, isto nom será NUNCA MAIS como nós o conhecemos. O capital solta os seus cadelos (com perdom dos cans), os seus patéticos vassalos a soldo de todo tipo para frear a dissidência que se opom a tanta barbárie, a tanta loucura neofascista. A maioria da gente do mundo morre de fame. O Sahara sobe cara arriba. O governo manda repeler imigrantes em caiucos para que nom cheguem à terra prometida e morram no meio do mar. Nom o inventa um tolo, todo isto é científico. Aqui, os ladrons imobiliários e energéticos espóliam o país. Ficamos sem terra e sem língua. E vam-nos soltar os cans. Com perdom dos cans, reitero.
Se estás fart@ desta merda herdada de Franco, piorada e maquilhada, se che fodem bem os atentados contra a natureza e a cultura, se desejas um mundo de povos que se respectem e de pessoas que tenham direito a existir, passa pola Fouce e fala connosco. Queremos tecer umha rede.

Monday, February 12, 2007







Vaia jeitinho de avançar






Chego à casa e atopo um jornal na mesa da cozinha. Trata-se do Avance, vozeiro do PSdG-PSOE no concelho de Ames. Na capa, a nova autovia e os lumes florestais do verám aparecem misturados alegremente, como se nom existisse relaçom nengumha entre estas duas agressons à terra da Amaía. Umha catástrofe sementada por quatro desalmados acarom dumha obra de progresso, levada a porto polos governantes do talante com o beneplácito do cabal e mesurado BNG. Sorte que os tempos de Fraga já vaiam longe!!
Umha vez se abre o jornal pré-eleitoral aparece umha foto da fenda que abriu a autovia nos Batáns. É a mesma imagem que vê um meu amigo pola janela do seu quarto, só que com outra perspectiva. Claro que, de ser umha estampa actual, os eucaliptos das beiras desse beco estariam queimados. É de supor que a essas ratas especuladoras que soprárom os ventos dos últimos lumes nom lhes será indiferente que se construa umha autovia. Visto desde esse ponto de vista, a desfeita da que estamos a ser testemunhas poderia ser chamada progresso. O que já é cínico de mais é que tentem vender a moto nas casas da gente que sempre desfrutou dos espaços naturais que agora vam ser destruídos , quando os políticos que pregoam os benefícios da autovia nem sequer conhecem estes lugares.
Os políticos nom conhecem in situ estas zonas. Limitam-se a traçar linhas em planos topográficos. Ou a abençoar as linhas que traçam por eles os empresários. Figérom um referendum para conhecer a opiniom da totalidade da gente? Perguntárom dalgum jeito o que pensa o povo? Eles podem ir de férias a Cancún ou Playa Bávaro. Nós desfrutamos do rio de Vilhestro depois dumha volta polo monte dos Batáns. Ou desfrutávamos. O governo que tingiu de verde a simbologia municipal pinta de asfáltico cinzento os montes e as leiras. Repovoarám os montes queimados no verám com espécies autóctones? O tempo dirá, mas eu intuo o que intuo, para além de ter escuitado algo nom sei onde.
Nos programas e vozeiros pré-eleitorais sempre enchem a boca com programas sociais e palavras verdes. E de verde encherám o Milhadoiro, mas doutro verde alóctone, como o dos eucaliptos. E nom falo mais, que fico sem língua.
Nom me vou estender sobre as hipocrisias e os enganos da política. Nom me dá o papel para falar do socialista e obreiro PSOE que legalizou as ETT, que amparou os GAL, que nos meteu na OTAN para guerrear contra povos irmáns e matar ao serviço dos USA, etc. Tampouco será cousa de nomear políticos do BNG que aprovárom em Vigo um destrutivo e impopular PGOM desenhado à medida da oligarquia e pactado com o PP, nem a presença destes políticos em processons de sotaina e tricórnio. É só que me repugna o governo em favor do qual votei nas passadas eleiçons municipais. Sinto-me um parvo útil.
Porém, quatro anos servem de muito. Especialmente nestas idades nas que ando. E digo-vos que eu desta volta nom caio. É verdade que, como da outra vez , duvido se introduzir ou nom o sobre na urna. Mas, se o introduzir, levará escritos mais de quatro palavrons.
Artigo assinado por um grupo de jovens da Amaía.

Transporte colectivo já! Nom à autovia

Anunciada em Junho de 2004, a autovia Compostela-Briom apresenta-se-nos como soluçom frente ao colapso do tránsito. Isso é o que afirmam para colar-nos o novo negócio empresarial que destrói o entorno das nossas aldeias e parróquias com formigom e mais e mais carros privados. Mas a questom é que o tránsito nom se vai reduzir, ao contrário, será cada vez maior, haverá mais acidentes, mais velocidade e contaminaçom (sem esquecer o impacto visual e acústico). As principais beneficiadas som, como sempre, as grandes empresas (veja-se a indústria automobilística, imobiliárias e construtoras) que botam mao dos partidos do regime espanhol (PP, PSOE) e dos que já levam anos apontando-se ao reparto do pastel chamando-se nacionalistas (veja-se BNG) junto com os meios monopolizadores da comunicaçom (TV, prensa e radio) para realizarem os seus interesses. Algo que já vem plasmado no seu Plan Galicia, fazer da Galiza umha colónia turística e da especulaçom, mentres miles de aldeias ficam sem vida. Para isso expropriam mais de 2000 parcelas, muitas elas de uso agrário, projectando umha autovia destrutora e desintegradora do nosso território (veja-se o caso de Urdilde). A continuaçom da autovia, no tramo de Noia, conleva um viaducto que terá como conseqüência a liquidaçom dum importante banco pesqueiro e a alteraçom das correntes da ria ao qual já se opujo a Plataforma pola Defesa da Ria. A necessidade de tal projecçom amolda-se ao "progreso" que nos vendem: vilas dependentes da cidade de Compostela, sem vida própria, destruiçom do nosso meio natural e da nossa identidade como povo... todo para amoldar-se à vida rápida da escravitude dos trabalhos temporários. Ainda estamos a tempo de respostar às agressons à nossa Terra, como fixo o povo noutros tempos e lugares com todos os meios ao seu alcance. Somos a mocidade quem nos jogamos o futuro, e quem mais sofremos a opressom do presente. Fam-nos viver o trabalho precário com horários inumanos, a eliminaçom da relaçom com a natureza para ajeitarmo-nos ao modelo capitalista de vida (macro-discotecas, centros comerciais, urbanizaçons mostruosas) sem tempo a pararmo-nos a analisar e ponher em qüestom o estado de cousas. Por que, nom será melhor potenciar as infraestruturas e o trasnporte colectivo -diário e nocturno- em todas as aldeias e entre as vilas da comarca e nom tanta destrucçom dependendo do carro unipessoal? Nom é mais inteligente e racional o potenciamento do autocarro ecológico, do comboio de proximidades, da bicicleta?Para que gastar milhons em destruir o património rural e natural e dividir as nossas parróquias em benefício dos/as de sempre?Por que que tanta surpresa dos/as politiqueiros/as ante os incéndios nas proximidades da autovia em terreios rústicos (polo tanto nom sometidos a normativa nengumha à hora de requalificar depois de ardidos e ainda que fosse assi esta seria ignorada como em muitos casos) se é claro que respondem a interesses das construtoras e que depois che ponhem umha monolítica e colonizadora urbanizaçom tipo "Aldea Nova" às portas dumha aldeia centenária?

Monday, June 19, 2006

Concha Rousia é escritora, vizinha de Briom e sócia da Fouce.


A caminho de Compostela, a uns dez quilómetros da cidade, há uma casa enorme no lado esquerdo da estrada que já polas cores da sua decoração exterior se pode adivinhar que é um "clube de alterne", ou como se lhe queira chamar...
Confesso que nunca dei lido o letreiro que conformam as suas letras verticais, que de noite se iluminam com várias luzes de néon; ora bem, a forma deste rótulo é um bom indicativo do tipo de negócios que dentro se levam a cabo. O rótulo tem forma de corpo humano, que apesar de estar mutilado se reconhece como um corpo humano feminino; falta-lhe dos joelhos para abaixo e dos ombreiros para acima. Assim de cru, assim de real, fazendo ressaltar o resto das formas. Enfim, o que quero dizer é que sem parar-se a guichar, e sem mesmo ler o letreiro, que de certo terá também um nome que daria muita ajuda para adivinhar o tipo de negócios que dentro se podem encerrar, já se pode imaginar a vida, por dizê-lo dalgum jeito, que dentro se respira.Quando me detenho a botar gasolina, meio quilómetro mais abaixo seguindo pola mesma estrada, às vezes vejo algumas moças novas tratando de se comunicar com o caixeiro da tenda do pão, a água mineral, e os lambiscos. Não é difícil de imaginar as injustiças às que estas mulheres, que normalmente são se procedência centro-europeia ou africana, estarão sendo submetidas. A policia passa por diante deste tipo de locais como passo eu, que ademais sempre estão bem às vistas; e sabe o que dentro sucede, como o sei eu, mas parece não ter ordem de fechar estes lugares. Afinal aí vão os homens a desafogar-se, ou aliviar-se, e isso não pode ser tão mau, não pode ser de perigo para a sociedade. Nada importa que dentro haja pessoas retidas, sequestradas, exploradas e mesmo escravizadas. Mas algo que calma os instintos mais animais do ser humano (homem), nos momentos em que não se bota o partido de futebol pola TV não pode ser mau para o sitema.O que sim parece algo mais perigoso, e pode transformar-nos de simples "monos de carne" em pessoas pensantes, são os Centros Socio-Culturais que se começam a espalhar polo nosso país. Nestes centros projectam-se filmes que denunciam as injustiças do mundo, fazem-se exposições de arte alternativa, apresentam-se livros, fomenta-se a leitura, o teatro, a criação literária, a arte de cultivar as nossas músicas e as nossas letras, etc. etc. Numa palavra, são lugares de resistência cultural, lugares que podem mesmo resultar atractivos para os jovens, a quem, aparte dos videojogos e o futebol de sempre, pouco mais se lhes oferece. Estes lugares que podem fazer que a gente nova, e a menos nova também, dou fé, pense, e isso já não parece tão inofensivo para o sistema estabelecido. O sistema quer gente mansa, que saiba ir ao rego, que cometa actos que estão à margem da lei mas que estão permitidos. Ora bem, pensar, organizar-se, resistir... não é permitido.É por isso que detrás de cada Centro Socio-Cultural que se abre na Galiza há gente buscando o jeito de o fechar. Buscando a forma de lhe tapar a boca à juventude, e assim tapar os olhos à nossa sociedade. Mas isso, eu acho, já é impossível, estes centros, que se estão a espalhar pola Galiza, são o mais claro exemplo da vontade irredutível do nosso povo. Estes centros são autênticas células que, se não são eliminadas ao nascer, medrarão; o aparato de controlo do estado sabe isso e nós não devemos ignorar que vai fazer o que considere preciso para intentar eliminar estos lugares de resistência; sabem que esse é o frente a combater; também sabem que se não os erradicam agora, depois não poderão eliminar os seus efeitos na sociedade. Efeitos que certamente se notarão na dignificação da nossa maltratada identidade. O aparato do estado monolítico não escatimará esforços para apagar estas vozes, mentres os mais de nós dormimos corrente abaixo. Sabemos que vão usar qualquer escusa para botar o fecho; vão tentar também o desprestígio social de alguns dos seus membros fabricando operações castiñeira e o que seja preciso com tal de que isto não vá em aumento; é claro, com tanto trabalho não lhes resta tempo para averiguar que se passa nesses outros locais que mencionava eu ao começo deste artigo. Mas todos sabemos que nada poderão contra nós se não os deixamos dividir-nos, como aconteceu naquela malha em Covas, há mais de cem anos, na que eu já tenho falado... É já agora, dizer-vos que aqueles que tentaram abafar aquela malha são os mesmos que andam a tentar apagar as vozes da nossa juventude, e nós... quem caralho somos nós...?