PEDRINHOS E RANHOLAS
A dia de hoje, Galiza é um povo que luita pola sua simples existência como tal. À colectividade humana que conformamos apresentam-se-lhe tam só dous caminhos: o da supervivência e o da dissoluçom na globalizaçom quotidiana, Espanha mediante. Nom existem terceiras vias: ou existimos e exercemos o direito a sermos diferentes ou nos imos dissolvendo, como o terrom de sucre, neste café para todos desenhado desde Madrid no que os seus promotores dérom em chamar "Transición Española". O testamento político que deixou o Generalísimo é bem claro: "Todo queda atado y bien atado". Hoje em dia, vivemos umha continuidade do franquismo, desenhada polos próprios franquistas para marginalizarem toda dissidência, nomeadamente a que apresentam os diferentes povos do Estado e os movimentos sociais de esquerda.
Neste dilema shakespeariano do "ser ou nom ser" no que se move o nosso povo existem, como na novela de Castelao, Pedrinhos e Ranholas. Pedrinhos que guiam carros de alta cilindrada e exercem cárregos importantes coexistem com Ranholas que som criminalizados e perseguidos, alcumados de terroristas, e que mesmo chegam a conhecer a sombra dos macro-cárceres deste posfranquismo. Os democráticos Pedrinhos nom se cansam de louvar esta generosa democracia e lembram-nos tempos piores (que para a raça de Pedrinhos chamada PePedrinhos mesmo eram melhores). Outros, mais cínicos ainda, mesmo nos recordam que eles corrêrom diante dos grises. Muitos deles hoje tenhem escritórios onde loce, orgulhosa e triunfal, a bandeira rojigualda ostentada por aqueles que vencêrom o nosso povo em 1936.
Desde a antedita "Transición Española" até que a nossa geraçom começou a dar os seus primeiros passos, o povo galego contou com umha ferramenta poderosa e temida polos que detentavam o poder: o Movimento Nacional-Popular Galego. Para conhecer algo do seu decorrer, é recomendável ver o filme Cine Clube Carlos Varela (CCCV), que nos transporta a heróicas luitas do nosso povo como Xove, As Encrobas, Baldaio ou a negativa dos nossos labregos a pagarem a quota empresarial agrária. O que para uns é um alicerce para a luita, para outros poderia constituír um motivo para a vergonha. Onde onte havia "Estatuto nunca mais, bases constitucionais" hoje hai "Estatuto de Nación". Onde onte estava a autodeterminaçom e o direito a decidir para Galiza, hoje reclamam-se "mais competências". Onde onte havia um "luita!", hoje só existe um "vota!". O que foi um movimento juvenil dinámico e combativo vai caminho de se converter na correia de transmissom ideal para os governantes gerirem umha mocidade dócil e despolitizada, que nem sequer terá umha mínima margem de crítica para coas decisons de governo que tomem os seus "superiores", no que onte foi umha frente patriótica revolucionária e hoje é um partido ao uso no mercado eleitoral.
Para ilustrarmos este panorama, avondam as declaraçons recentes de dous políticos profissionais. Um, o vice-presidente do governinho galego, declarava perante a "Operaçom Castinheira" e o seqüestro de treze jovens independentistas que "aguardamos que caia sobre eles todo o peso da lei". (!!!). Outro, o (cárrego) da que ainda se dá em chamar "Frente Patriótica", manifestava na passada Assembleia Nacional da meirande organizaçom juvenil nacionalista do país (onde nom estivérom tam longe de se impor os sectores que procuravam umha volta à esquerda e ao soberanismo, traduzida por exemplo numha aproximaçom dos centros sociais) que " Nom hai mais nacionalismo galego que o nosso(aventureirismos, cantos de sereia...)".
Alguns que eram Ranholas vam-se convertendo em autênticos Pedrinhos. Pode que nom tardemos em vê-los ajoelhados, a comerem as maçás cos seus novos companheiros de viagem: os porcos.
É de supor que, entrementres, os Ranholas continuarám a protestar.
Sunday, June 24, 2007
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