Vaia jeitinho de avançar
Chego à casa e atopo um jornal na mesa da cozinha. Trata-se do Avance, vozeiro do PSdG-PSOE no concelho de Ames. Na capa, a nova autovia e os lumes florestais do verám aparecem misturados alegremente, como se nom existisse relaçom nengumha entre estas duas agressons à terra da Amaía. Umha catástrofe sementada por quatro desalmados acarom dumha obra de progresso, levada a porto polos governantes do talante com o beneplácito do cabal e mesurado BNG. Sorte que os tempos de Fraga já vaiam longe!!Umha vez se abre o jornal pré-eleitoral aparece umha foto da fenda que abriu a autovia nos Batáns. É a mesma imagem que vê um meu amigo pola janela do seu quarto, só que com outra perspectiva. Claro que, de ser umha estampa actual, os eucaliptos das beiras desse beco estariam queimados. É de supor que a essas ratas especuladoras que soprárom os ventos dos últimos lumes nom lhes será indiferente que se construa umha autovia. Visto desde esse ponto de vista, a desfeita da que estamos a ser testemunhas poderia ser chamada progresso. O que já é cínico de mais é que tentem vender a moto nas casas da gente que sempre desfrutou dos espaços naturais que agora vam ser destruídos , quando os políticos que pregoam os benefícios da autovia nem sequer conhecem estes lugares.
Os políticos nom conhecem in situ estas zonas. Limitam-se a traçar linhas em planos topográficos. Ou a abençoar as linhas que traçam por eles os empresários. Figérom um referendum para conhecer a opiniom da totalidade da gente? Perguntárom dalgum jeito o que pensa o povo? Eles podem ir de férias a Cancún ou Playa Bávaro. Nós desfrutamos do rio de Vilhestro depois dumha volta polo monte dos Batáns. Ou desfrutávamos. O governo que tingiu de verde a simbologia municipal pinta de asfáltico cinzento os montes e as leiras. Repovoarám os montes queimados no verám com espécies autóctones? O tempo dirá, mas eu intuo o que intuo, para além de ter escuitado algo nom sei onde.
Nos programas e vozeiros pré-eleitorais sempre enchem a boca com programas sociais e palavras verdes. E de verde encherám o Milhadoiro, mas doutro verde alóctone, como o dos eucaliptos. E nom falo mais, que fico sem língua.
Nom me vou estender sobre as hipocrisias e os enganos da política. Nom me dá o papel para falar do socialista e obreiro PSOE que legalizou as ETT, que amparou os GAL, que nos meteu na OTAN para guerrear contra povos irmáns e matar ao serviço dos USA, etc. Tampouco será cousa de nomear políticos do BNG que aprovárom em Vigo um destrutivo e impopular PGOM desenhado à medida da oligarquia e pactado com o PP, nem a presença destes políticos em processons de sotaina e tricórnio. É só que me repugna o governo em favor do qual votei nas passadas eleiçons municipais. Sinto-me um parvo útil.
Porém, quatro anos servem de muito. Especialmente nestas idades nas que ando. E digo-vos que eu desta volta nom caio. É verdade que, como da outra vez , duvido se introduzir ou nom o sobre na urna. Mas, se o introduzir, levará escritos mais de quatro palavrons.

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