Tuesday, February 21, 2006



Hadriám Mosqueira Paços é um moço vizinho de Bugalhido membro da Fouce de Ouro, ele foi um dos detidos o passado 14 de Novembro junto com outros/as 10 independentistas por formar parte da organizaçom política juvenil AMI (Assembleia da Mocidade Independentista).



Como se dum pesadelo se tratasse, o 14 de Novembro pola manhá guardias civís encarapuzados petavam à minha porta e detinha-me, nessa mesma manhá detinham também a outr@s 10 companheir@s independentistas dentro da chamada “Operaçom Castinheiras”, baixo a acusaçom de associaçom ilícita, danos, desordens públicas e apologia do terrorismo.
Num primeiro momento levarom-nos ao quartel da Guardia Civil em Compostela, onde pudem fazer-me umha ideia do ocorrido. Ali nos metérom num calabouço individual de pequenas dimensons cumhas condiçons higiénicas deploráveis e sem nengum tipo de direito (as mesmas condiçons que mantivemos nos tres dias que durou a detençom). Horas mais tarde vinherom buscar-nos a cada um/ha de nós para fazer um “registo” nas nossas casas: levárom-me todo,desde documentos até apontamentos de classe, chaves da casa, os 200 euros que tinha eu aforrados do meu curro e os 400 que tinha das finanças da Fouce de Ouro. E nom só a mim: centros sociais como a Gentalha do Pichel, a Revolta e a Esmorga em Ourense fôrom saqueiados, assi como as casas e mesmo algum centro de trabalho do resto d@s detid@s em Compostela, Vigo, Ourense e Lugo. Em total, mais de 9000 euros e ordenadores, bens pessoais e nom pessoais...que sabemos que nom vam ser nunca devoltos. À vez,e segundo pudem saber depois, os meios de comunicaçom oficiais como El Correo Gallego blasfemavam com mentiras tentando justificar a operaçom fascista dos guardias civís, publicavam fotos, os nomes e apelidos... É triste, mais foi meiante eles como se enterárom @s familiares, mediad@s pola mentira, pechad@s eles/as também entre a ignoráncia e o insulto. E mentres nós, sem saber que ia ser de nós: o primeiro dia à Corunha: fotos, interrogatório,chantagens, condutas discriminatórias connosco... a primeira noite,à madrugada, levárom-nos para Madrid. Os rapazes fomos num furgom especial que se utiliza para estes casos: celas individuais de 1x1 metros, sem janelas e algemad@s durante 8 horas, até que chegamos à Direcçom Geral da Guardia Civil. Baixamos, empurrons, ameaças, cabeça abaixo, olhos pechados, muita presa, ruidos estranhos, e cada um/ha para umha cela cumha cama e umha luz ténue. Eramos observados em todo momento mediante as rendijas das portas pol@s encarapuzad@s: aos rapazes mandarom-nos estar toda a tarde de pé, contra a parede; às rapazas entravam-lhes na cela pola noite e comiam-lhes o tarro. Ali passamos todo um dia que legalmente se podia alongar a dous mais, a noçom do tempo perde-se, nesses intres estás reduzido ao mandato d@s teus don@s,se che dam de comer, comes, se che deixam durmir dormes, se che deixam ir ao banho, levam-te e observam-te. Algum/has de nós escoitamos também berros dumha rapaça que semelhava estar sendo torturada, podiam ser gravaçons, podia ser umha companheira, podia ser outra, testimónios nom faltam: há miles,denunciados publicamente mas silenciad@s a maior parte das vezes. Ao dia seguinte, ao fim, levárom-nos à Audiência Nacional,órgao criado especialmente para a perseguiçom política. E ali rematárom soltando-nos, sem quartos nem nada, ali em Madrid.
Semanas depois, detiverom ainda a outro rapaz em Ourense e detiverom de novo em solitário a umha companheira de Ourense acussada de fazer umha acçom contra umha minicentral em construcçom. O caso enviarom-no a um Juzgado de Compostela, caendo "casualmente" em maos dum juiz especialmente retrógada: Miguez Poza (já conhecido por nós),que o voltou enviar para Madrid. O 15 de Fevereiro era detido dentro da mesma operaçom um moço em Ferrol acussado de editar umha web agora clausurada (emgalego.tk) que promovia o boicote com ovos laranjas à espanholizaçom. Nós seguimos coa obriga de ir assinar cada 15 dias.

A minha intençom com este artigo nom é dizer: que pobrinho sou, mira o que nos passou, porque nom se trata disso. Conhezo desde há anos a natureza deste Estado que governa as nossas vidas, deste sistema colonial que n@s ata ao povo galego a um futuro de miséria e destruiçom, conhecia já os métodos que utilizam contra toda dissidência (o que nos figérom nom é comparável como o que vive um pres@ FIES-também chamado cárcere dentro do cárcere-), conhecia que neste país berrar Galiza Ceive! organizar-se, luitar e tentar construir umha sociedade alternativa e justa está perseguido, marcado, assinalado por especuladores, caciques, curas... Nom nos consideramos inocentes se denunciar conseqüentemente a violência que sofremos: precariedade laboral, repressom policial, destruiçom do nosso meio ambiente, guerra imperialista, machismo, a deturpaçom e impossiçom sobre o nosso idioma... é delito. A nós detivérom-nos com a excusa de sermos da Assembleia da Mocidade Independentista, quando nom somos mais que umha organizaçom política de jovens, cousa que entra (ou entrava) dentro do que Espanha diz (ou dizia) permitir. Com a Lei de Partidos aprovada polo PP e os seus colaboradores isso cambiou, e agora (como na ditadura) reunir-se e expresar as ideias pode ser ilegal. Vinherom a por nós porque molestamos, porque para o Estado uniformador e capitalista no que vivemos molesta a existência dum movimento social nacionalista. Por isso atacárom e atacarám no futuro a qualquer expressom de dissidência, na qual entram os centros sociais e associaçons culturais como esta Fouce de Ouro, por querer construir um país novo sem caer no controlo do poder projectando o futuro dum jeito livre.

Desde aqui quero agradecer o apoio de toda essa gente que se solidarizou e estivo na rua connosco, que apoiou a nossa luita dalgumha forma e nom se deixou calar por esta ditadura mediática, por este circo bipartidista (PP-PSOE) no qual sempre ganham os mesmos (se lhes deixamos).
A quem segue com a sua vida normal, consumindo e consumindo-se sem sabê-lo, a quem crê todo o que lhe metem polos olhos, a quem nom se qüestiona nada, recomendo-lhe, polo menos informar-se antes de tomar posiçom.

senlheirogz@gmail.com

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